segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

REANIMAÇÃO CARDIO-PULMONAR - RCP






Definição de RCP
Reanimação Cardio-Pulmonar (RCP) consiste na respiração boca-a-boca e em compressões cardíacas externas. A RCP permite fornecer sangue oxigenado aos órgãos vitais (coração e cérebro) que não sobrevivem durante muito tempo sem aporte sanguíneo. A RCP prolonga a probabilidade de sucesso para que um tratamento diferenciado possa ser instituído (desfibrilhação).

Reanimação Cardio-Pulmonar (RCP) no adulto

1 - Verifique e assegure as condições de segurança
Se tem condições de segurança aproxime-se da vítima.


2 - Verifique estado de consciência
Verifique se a vítima reage (está consciente), chame por ela abanando suavemente pelos ombros, se não reagir (está inconsciente) grite por ajuda no caso de ter alguém por perto que o possa ajudar


3 - Abertura da via aérea
Posicione a vítima deitada sobre as costas com os membros alinhados com o corpo. Ajoelhe-se junto da cabeça da vitima.


Levante o queixo da vítima e incline-lhe a cabeça para trás (extensão), de modo a manter as vias aéreas abertas, conforme se indica na figura (caso tenha condições e outros conhecimentos, não efectuar esta manobra em vítimas com suspeita de traumatismo vértebro-medular - coluna vertebral).


Verificar se existem corpos estranhos ou secreções na boca da vítima e remova-os.

4 - Verifique se ventila normalmente (eficaz)
Verifique se a vítima tem sinais de circulação: Coloque a sua face junto ao nariz e boca da vítima e deve VER se o tórax e abdómen se expandem com os movimentos ventilatórios (Movimentos, incluindo deglutição; Respiração; Tosse), OUVIR se existem ruídos de entrada e saída de ar pela boca e nariz e SENTIR o ar expirado pela boca e nariz da vítima durante 10 segundos (nunca mais)..


Verificar Sinais de Circulação
A pesquisa de sinais de circulação não deve exceder o estritamente necessário (10 segundos). Se você não vir sinais de vida (como respiração normal, movimentos respiratórios, tosse ou outros e tiver dúvidas), não hesite em iniciar RCP. A verificação do pulso é reservada somente a profissionais de saúde altamente treinados, a correcta verificação fica para os técnicos habilitados.

A pesquisa de pulso não é fácil, pelo que deve ser executada apenas a profissionais com larga experiência, o pulso a pesquisar deve ser carotídeo.


Na ausência de sinais de circulação deve prosseguir para o passo seguinte.

5 - Se não ventila normalmente - ligue 112
Se não tem sinais de circulação deve pedir ajuda ligando 112.


Antes de telefonar procure saber alguns dados sobre a vítima e local da ocorrência, ou peça a alguém para o fazer (112 é uma chamada grátis para todos os telefones).

Se a sua vítima é criança, vítima de afogamento ou de engasgamento, deve executar um minuto de RCP e só depois pedir ajuda

6 - Posicione as mãos
Coloque as suas mãos sobrepostas com os dedos intercalados no centro do tórax da vítima (no externo), apoiando somente a base da mão. Os dedos da mão que esta por cima puxam os da que está por baixo assegurando que não é exercida pressão destes sobre as costelas.


7 - Comprima 30 vezes
Pressione o tórax 30 vezes, fazendo baixar o externo cerca de 4 - 5 centímetros ou 30% do seu diâmetro, sempre com os braços em extensão perpendicularmente à vítima (sem dobrar os cotovelos). Para manter o ritmo poderá contar "1 e 2 e 3 e 4, .... e 30" comprimindo cada vez que se diz o número e aliviando a pressão cada vez que se diz a conjunção "e" (a um ritmo de 100 por minuto).


8 - Execute ventilação artificial
Mantendo a via aérea aberta (extensão), tape o nariz abrindo a boca e execute respiração boca-a-boca (duas insuflações de modo a elevar o tórax da vítima, cerca de 1 segundo cada).

A ventilação pode ser executada com "máscara de bolso", insuflador manual, etc.

No caso de não ser possível executar boca-a-boca, por qualquer motivo, deve prosseguir com compressões cardíacas ininterruptamente.


CONTINUE COM 30 COMPRESSÕES E 2 INSUFLAÇÕES ATÉ QUE A AJUDA CHEGUE

RCP em crianças (1-8 anos)

RCP em crianças desta idade é similar aos adultos, a compressão e ventilação é também 30:2. Há no entanto 3 diferenças.
1) Se você estiver sozinho deve executar RCP durante dois minutos antes de ligar 112.

2) Use uma só mão para efectuar as compressões torácicas.

3) Pressione o esterno e faça-o baixar 2 a 3 centímetros (1/3 do seu diâmetro).

RCP em crianças (< 1 ano)

1 Chamar e abanar
Chame e abane delicadamente o ombro da criança. Se não houver resposta posicione a criança em decúbito dorsal sobre uma superfície dura.


2 Abrir a via aérea
Abra a via aérea, visualize a boca da criança procurando por objectos estranhos. Permeabilize a via aérea, inclinando principalmente o queixo, não inclinar a cabeça demasiado para trás. Verifique se respira.


3 Dê 2 Insuflações
Se a criança não respira dê 2 insuflações delicadamente. Tape a boca e nariz da criança com a sua boca e ventile. Cada insuflação deve durar 1segundo. Deve verificar se o peito da criança se expande.


4 Dê 30 compressões
Execute delicadamente 30 compressões a um ritmo de 100 por minuto. Coloque dois dedos centro do peito da criança logo abaixo dos mamilos. Pressione fazendo baixar o tórax somente 1 a 2 centímetros. Quando executada por dois reanimadores, esta manobra pode ser executada com os polegares ficando os restantes dedos a envolver o tórax da criança.


5 Continuar
Continue com 2 insuflação para 30 compressões. Após dois minutos de repetir este ciclo ligue 112. Volte para junto da criança e continue até chegar ajuda. Se observar sinais de circulação, mantenha ventilação, uma de 3 em 3 segundos e pare as compressões (isto somente no caso de ter certeza absoluta de sinais de circulação).


Manobra de desobstrução das vias aéreas em crianças

1º PASSO
Se a vítima está a respirar, não interferir com a tentativa natural e espontânea de tentar expelir o corpo estranho, mas encorajar a vítima a tossir.

2º PASSO
Aconselhar a vítima a inclinar-se para baixo, pois esta posição ajuda o corpo estranho a sair para o exterior, pela própria acção da gravidade.

3º PASSO
Se a vítima não recuperar actuar como se trata-se de obstrução total

Manobra de desobstrução das vias aéreas em adultos e crianças (> 1 ano) - Manobra de Heimlich

1º PASSO
Se a vítima não consegue falar ou respirar, a angústia é visível no rosto, com olhos muito abertos, boca aberta, sinais de exaustão e cianose. Geralmente as mãos agarram o pescoço. Esta situação tem risco eminente de asfixia e, como tal, de paragem ventilatória.


2º PASSO
Incline a vítima para a frente, coloque-se por trás desta e com a mão plana, dê cinco pancadas secas nas costas entre as omoplatas. Verifique se o corpo estranho saiu.



3º PASSO
Se as pancadas falharem, coloque a sua mão fechada em punho e com o polegar contra o abdómen da vítima, entre o umbigo e o apêndice xifóide, na zona do epigastro. Com a outra mão envolver o punho fechado e efectuar cinco compressões abdominais para dentro e para cima. Devem ser pausadas, seguras e secas (Manobra de Heimlich). Verifique se o corpo saiu pela boca. Repetir esta sequência de pancadas nas costas e compressões as vezes que for necessário até à expulsão do próprio objecto.


vítimas inconscientes

Se a vítima estiver inconsciente e não conseguir suportar o peso da vítima, deve colocar a vítima deitada sobre as costas e execute RCP (compressões e ventilações 30:2) verificando se algum corpo estranho é expelido removendo-o da boca se necessário. Repetir esta manobra até que seja eficaz.


SITUAÇÕES DE EXCEPÇÃO À APLICAÇÃO DAS COMPRESSÕES ABDOMINAIS

Mulheres grávidas
Vítimas obesas ( nas quais o reanimador tem dificuldade em abranger o abdómen da vítima) Nestes casos as compressões abdominais devem ser substituídas por compressões esternais (aplicadas no local de RCP). Podem ser aplicadas em vítimas conscientes ou inconscientes.


Manobra de desobstrução das vias aéreas em crianças (<1 ano)

1º PASSO
Observe se a criança consegue chorar, tossir ou respirar.
Se a resposta é negativa, prossiga para o passo seguinte.


2º PASSO
Coloque a criança de barriga para baixo (decúbito ventral) sobre o seu antebraço com a cabeça inclinada para baixo (ver figura), efectue 5 pancadas nas costas, na linha média entre as omoplatas (utilize a base da mão, com força adequada ao tamanho da criança).


3º PASSO
Alternadamente, coloque-a de costas (decúbito dorsal) e se necessário sobre uma superfície dura, execute 5 compressões sobre o esterno, com dois dedos, ou com os polegares ficando os restantes dedos a envolver o tórax da criança. As compressões devem ser executadas abaixo da linha média intermamilar, estas devem ser pausadas e seguras (do mesmo modo que a RCP).


4º PASSO
Repita os passos 2 e 3 até que seja eficaz. Verifique, entre cada passo, se o objecto que provoca a obstrução se encontra na boca ou garganta e remova-o. Se a criança ficar inconsciente inicie RCP.

Factos sobre RCP


A paragem cardíaca repentina é a principal causa de morte nos adultos. A maioria destas paragens ocorre em pessoas com doença cardíaca subjacente.

A RCP duplica a possibilidade de sobrevivência quando aplicada imediatamente em vítimas de paragem cardio-respiratória.

Cerca de 75% das paragens cardíacas ocorre em casa das pessoas.

A vítima típica de paragem cardíaca é uma mulher com seus 60 e poucos anos de idade e um homem com menos de 60 anos de idade.

A paragem cardíaca ocorre duas vezes mais no sexo masculino.

A RCP foi inventado em 1960.

Não há relatos de HIV transmitido pela respiração boca-a-boca.

Na paragem cardíaca repentina o coração vai de um ritmo normal para um ritmo de fibrilhação ventricular (FV). Isto acontece em 2/3 dos casos. A FV é fatal a menos que seja efectuado um choque eléctrico, chamado desfibrilhação. A RCP (Suporte Básico de Vida) não resolve a FV mas prolongo o tempo em que a desfibrilhação pode ser eficaz.

A RCP fornece o sangue oxigenado ao cérebro e coração para manter a vítima viva até que chegue o desfibrilhador.

Se RCP for iniciado dentro de 4 minutos após o colapso e a desfibrilhação dentro de 10 minutos essa pessoa tem cerca de 40 % de possibilidade de sobrevivência.
1º minuto - 98%

4º minuto - 50%

6º minuto - 11%

Se as células do cérebro forem privadas de sangue oxigenado por mais de 4 a 6 minutos, as lesões a nível cerebral podem tornar-se irreversíveis.

1 comentário:

Anónimo disse...

Excelente, aprendi muito com esta matéria